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Tanto Mar de Maria Mamede Recebe Prémio Literário Santos Lessa 2019

Atualizado: 30 de Out de 2019

Dia 1 de novembro - 18h30 no Orfeão de Matosinhos, realiza-se a cerimónia de entrega do prémio e o lançamento da obra.




O júri composto pela Dr.ª. Isabel Lago, Dr.ª Manuela Galante e o Dr. António Almeida, considerou que a relação temática do texto com espírito do concurso é plena, pois contempla o mar, espaço de vivências e sobrevivências de uma comunidade que dele arranca irredutivelmente o seu sustento. Para tantos outros o mar é um ente de ligação com o imaginário, paleta de viagens fantásticas viagens reais, imaginárias e memórias, uma ligação com as outras margens. Tanto Mar, fala das pessoas que na sua existência anónima dão vida e suportam a vida alheia. Resgata memórias que dão


significado e sentido de uma pertença, uma origem passada comum, uma certa origem primordial. E que a obra submetida a concurso homenageia as gentes de Matosinhos, ligadas por um carater identitário comum, material ou simbólico: o mar.

O mar é o seu berço, o seu tear, a sua terra e a sua herança. Os filhos recebê-lo-ão como um legado sobre o qual continuarão a construir as suas histórias, pois “Trazem no corpo as marés!” (1).

Isabel Lago, Presidente do Júri:

No momento em que abri este texto imediatamente me senti em casa. Não na actual, mas numa outra em que vivi há uns quarenta, cinquenta anos atrás, num Matosinhos de que já pouco existe, a não ser a sua recordação na memória de quantos aqui então nasceram, cresceram e viveram, por estas ruas onde jogaram à bola, esmurraram os joelhos e correram para casa ao grito poderoso das mães: Ó Tone… Ó Zé… Ó Quim… Ó das Dores… Ó Irene…Ó Teresa… Ó São E à medida que fui avançando na leitura, mais essa impressão se foi reforçando e fui recordando. Ele era o cheiro da fábrica da tripa, nos dias em que o vento o espalhava sobre nós, o toque das sirenes dos bombeiros em dia de desastre no mar ou de incêndio nas ilhas… as nortadas e os nevoeiros de verão… e eram as gentes, homens, mulheres e crianças e os seus afazeres quotidianos… A alegria dos cabazes cheios ou tristeza das redes vazias… tantas coisas… tantas gentes diferentes… tanto para recordar… Há textos com história. Há textos que são História. O texto poético que ganhou este prémio é um deles. Para lá da homenagem (se é que foi uma homenagem ou apenas um recordar da terra onde nasceu ou viveu - desconhecemos ambas as situações ) é o reconhecimento público de todo um povo que se foi fazendo grande – uma cidade enorme - mas que permanece ainda na nossa memória, sobretudo entre os mais velhos, como “a nossa terra”. (1)Extraído da obra




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